Poesia Sonora - Janete Manacá (MT)

Do Corpo-Rascunho à Melodia da Alma:
Escritora Janete Manacá Lança o Livro "Poesia Sonora"
Obra inspirada na realização tardia de um sonho de infância e no resgate de
memórias afetivas será lançada no dia 18 de novembro de 2026.
O livro de poesias "Poesia Sonora", da escritora Janete Manacá, será lançado
no próximo dia 18 de novembro, às 19h30, no Instituto Vânia Benício
Fisioterapia e Medicina Chinesa. A obra é o resultado sensível de uma jornada
de autoconhecimento, disciplina e amor à arte, nascida por meio do Programa
de Extensão - UFMT Com a Corda Toda: música para todas as pessoas, da
Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), programa no qual a autora
estuda violino há quatro anos.
Um legado de família e o sonho concretizado
O encontro de Janete com a música não é recente; ele tem raízes profundas na
terra e nos afetos familiares. Seu pai, um camponês autodidata, não apenas
tocava violino, mas também os construía com as próprias mãos. Na infância da
autora, o som do instrumento era o cenário de todas as noites, quando o pai
tocava para a mãe.
Esse sonho de infância adormeceu por décadas e só pôde ser realizado mais
de meio século depois. "Não é um livro voltado para músicos, embora nascido
no processo de aprendizado musical. É uma obra de poesia para todas as
pessoas que apreciam o gênero literário", explica a autora.
De acordo com a prefaciadora, Rubia Naspolini, “Este livro é uma obra de arte:
mostra a transformação de uma mulher a partir do seu encontro com o violino.
Mas não de uma mulher qualquer, mas uma mulher madura, com seus cabelos
brancos, sorriso e braços acolhedores, mãos marcadas pelas vivências de uma
infância que a fizeram trabalhar precocemente.”
O Resgate do "Corpo-Essência"
Muito além das técnicas musicais, o aprendizado do violino exigiu de Janete
uma verdadeira viagem no tempo. Por ter trabalhado muito cedo para
sobreviver — vivendo o que chama de uma "segunda infância" voltada à
subsistência —, seu corpo havia se tornado fragmentado, um "corpo-rascunho"
que não encontrava ressonância com a própria alma.
Para que o corpo pudesse se transformar na extensão do violino, foi preciso
resgatar a essência perdida no passado. A poesia surge exatamente desse
processo de empenho, dedicação e disciplina, traduzindo memórias visuais e
auditivas, o despertar para o autoconhecimento e a delicadeza de um
instrumento que exige a busca por um corpo integral.
“Os poemas de Janete respeitam o corpo que escreve, o corpo que lê, o corpo
que (se) toca e se coloca. Não exigem virtuosismo, nem resolução imediata.
Trabalham com dissonâncias assumidas, com pausas longas, com notas que
não se apressam em fechar o acorde. Há aqui uma compreensão profunda de que o território da poesia pode — e deve — ser lugar de acolhimento, onde o
corpo encontra abrigo para se recompor.”, ressalta a posfaciadora, Doriane
Azevedo.
Serviço
Evento: Lançamento do livro Poesia Sonora, de Janete Manacá
Data: 18 de novembro de 2026 (quarta-feira)
Horário: 19h30
Local: Instituto Vânia Benício Fisioterapia e Medicina Chines
Entrada: Gratuita